segunda-feira, 25 de julho de 2016

Masturbação Sagrada - A Consagração do Falo e Transição de Ciclo


Por algum tempo acreditei que escrever era desperdiçar o meu tempo e além de não ganhar nada com isso, me doava e muitas vezes recebia comentários cheios de crítica e pouco gratidão.
Porém com o tempo que fiquei sem escrever comecei a receber diversas mensagens de leitores do blog, homens e mulheres que questionam o que é a verdadeira masculinidade e buscam um equilíbrio e conexão com o Sagrado. Sempre procurei responder a todas as mensagens e perguntas e muitos começaram a e questionar quando escreveria textos novos. Mas ao mesmo tempo não estava estimulado a escrever sobre nada estava vivenciando outras coisas além do masculino e do feminino, uma conexão com o Eu Superior. Talvez não estivesse pronto a voltar a escrever, de repente precisava de outras vivências para depois retomar esse movimento do Sagrado Masculino.
Agradeço aos leitores que continuam sempre entrando em contato compartilhando suas vivências e agradecendo pelos textos. Fico muito feliz em saber que usam os meus textos em seus grupos, círculos e rodas de homens e mulheres. Me sinto honrado em contribuir para o estudo e a evolução de vocês e por isso reacendi dentro de mim a vontade de escrever e compartilhar escritos que nunca foram publicados on line apenas compartilhado no Círculo do Sagrado Masculino. 
Se você já acompanha o blog então prepare-se, pois as publicações irão voltar e tem muito conteúdo que desejo compartilhar com todos. 
E para começar esse novo ciclo de postagens vou compartilhar o que mais me pedem sempre por mensagem, práticas.
Essas práticas foram desenvolvidas por mim no período em que pesquisava sobre Sagrado Masculino, Bruxaria e Paganismo, então são práticas baseadas nessas três bases, onde utilizo sempre algum arquétipo de divindades masculinas para meditação. Vocês podem trabalhar com divindades que costumam se conectar ou busca um arquétipo diferente por ciclo para se conectar sugiro o leitura do texto Ciclos Masculinos caso você ainda não tenha lido pois lá explico como medimos o que chamo de microciclos.
Gostaria de adverter que não existe uma verdade absoluta, que o que estou compartilhando pode funcionar com muitos e pode não causar efeito nenhum em alguns, é apenas o modo que eu desenvolvi de trabalho, apliquei em mim mesmo e nos homens que passaram pelo Círculo do Sagrado Masculino. Fiquem abertos e livres para realizar adaptações do seu modo de ritualizar e se conectar. 
Outra advertência é a respeito de energia sexual, masturbação e sêmen. Também indico que leiam O Poder do Sêmen antes de fazer essa prática para que entenda o valor e o poder que o sêmen tem e se liberte do nojo e dos tabus que a sociedade impõe a esse respeito. O Falo é uma energia arquetípica e o seu símbolo supremo é o pênis, o contato com o pênis como simbolo absoluto da masculinidade nos auxilia energeticamente ao contato arquetípico do Falo e a sua força criativa e regeneradora. Masturbação também é vista até hoje como um tabu, porém é algo totalmente natural e pode ser um ato sagrado quando estamos conectados com nosso corpo e nossa energia sexual plenamente para um fim específico. Vamos esclarecer alguns pontos históricos sobre essa prática.


               A masturbação em si já se torna um rito de passagem, quem não se lembra da primeira vez que se masturbou e teve um orgasmo acompanhado de ejaculação?
               Masturbação vem do latim, "manus" (mãos) e "turbari" (esfregar), ou seja, "esfregar com as mãos". Porém esse termo só foi difundido quase no fim século XIX, pelo fundador da psicologia sexual. Muito antes disso os homens do período paleolítico já representavam em suas pinturas nas cavernas, o ato da masturbação em solitário ou coletivamente em rituais de fertilidade. Para os gregos era considerada uma prática natural e comum. No Antigo Egito, tanto a masturbação masculina como feminina eram sagradas. Masturbações coletivas eram realizadas nos templos de Atum e de outras divindades. Min, deus da fertilidade, e da procriação egípcio, é representado em posição itifálica, e as mulheres quando morriam eram mumificadas junto com objetos fálicos utilizados por elas, uma espécie de "vibrador" de argila. Nas ruínas maias, também são encontradas várias representações de rituais onde há masturbações coletivas. Já para os hindus, o sêmen deve ser preservado então praticam as masturbações tântricas onde há orgasmo não ejaculatório.
               Porém, como sempre, o cristianismo vem acabar com a festa, condenando a masturbação como algo do mal, onde o sêmen é desperdiçado. Pensamento que se perpetuou durante grande parte da história. No período medieval criaram maneiras de evitar a masturbação como cintos de castidade masculinos e outros métodos torturantes, para se evitar até mesmo uma ereção. Aquino declarou a masturbação como um pecado pior que o incesto, e com a descoberta do espermatozoide pela medicina no século XVII, por Leeuwenhoek e seu conceito do pré-formismo, onde afirmava que dentro do sêmen há um homenzinho em miniatura que dentro da mulher começa a se desenvolver, fez da masturbação uma espécie de assassinato de uma geração. Mesmo depois esse conceito de pré-formismo ter sido quebrado, Tissot, em seu célebre livro "Onanism", condenou a masturbação e a definia como desperdício da essência masculina através da ejaculação. A perda de 30 gramas de sêmen, declarou ele, é igual a 1.200 gramas de sangue. Para Tissot os orgasmos masturbatórios são piores do que outros porque o poluidor (a pessoa que se masturba) conta com a fantasia como objeto de amor, superaquecendo o cérebro deixando a pessoa com a aparência cadavérica. Inclusive ensinava dicas de como evitar a prática masturbatória como: beber quinino, tomar banho frio, e praticar "pensamentos puros".
               Com o surgimento da psicanálise, foram se criando outros conceitos a respeito da masturbação, Freud tinha objeção pela masturbação, não mais por uma questão moral nem se baseava na crença de Tissot de conservar a essência masculina, mas porque considerava uma forma insatisfatória de orgasmo que levava à perda do vigor, à ejaculação precoce ou à incapacidade de ejacular durante o intercurso sexual. O que gerava a neurastenia, um estado de fraqueza sexual caracterizado por depressão e fadiga crônica.
Todo esse peso histórico influenciou gerações, e causou grande desconforto e até sentimento de culpa nos jovens que se masturbavam, e se perdeu a sacralidade do ato. A criação de mitos como, que masturbação faz crescer pêlo na mão, ou que se masturbar faz nascerem espinhas, vem de séculos de condenação a algo que é tão natural, sagrado e saudável. Os profissionais da área da saúde já atestaram que a masturbação é uma prática saudável e até mesmo essencial no período da puberdade, quando o jovem está descobrindo seu corpo e desenvolvendo sua sexualidade. Masturbar-se, como foi atestado, ajuda na prevenção do câncer de próstata.


Bem dito isso preparem-se pois os Mistérios serão revelados, mas só aqueles que a busca é verdadeira e possuem o coração e a mente aberta podem compreender o significado desses mistérios no seu interior. Espero que essa prática auxilie aos homens a se conectarem com sua energia fálica plena equilibrando essa força dentro de vocês.



Rito de Transição de Ciclo


Preparação –

Banho pré-ritual: Tome um banho especial com ervas ou sais de banho. Pode ser um banho solar, ou o banho com ervas de seu signo solar, lunar e ascendente ou o que vocês acharem apropriado para o momento (purificação, prosperidade, beleza, etc.)
Segue uma receita sugerida: Banho Solar do Sagrado Masculino - Receita de Gawen Ausar
Você vai precisar de:
Açafrão
Alecrim 
Louro 
Pétalas de Girassol ou camomila 
Óleo essencial de Almíscar ou Musgo de Carvalho

Modo de preparo:
Ferva aproximadamente 1 litro de água. Apague o fogo e acrescente uma colher rasa de açafrão, um punhado de cada erva e 9 gotas de óleo essencial de almíscar ou musgo de carvalho. Abafe e deixe descansar por volta de 30 minutos até que a água esteja morna.
Coloque suas mãos próximas ao banho e visualize uma luz dourada entrando pelo seu chakra coronário e saindo através de suas mãos. Cante o mantra do Deus: "Hórus, Marduk, Dionísio, Krishna, Odin, Cernunnos, Apolo" enquanto visualiza a água se enchendo com essa luz dourada.
Após seu banho cotidiano despeje o banho sobre todo seu corpo da cabeça aos pés e visualize-se sendo envolvido pela luz dourada do Sol.
Tome esse banho sempre antes de se conectar com o Deus, em sua transição de ciclo ou quando sentir que precisa da energia e força solar.

Montar o Altar do Sagrado Masculino: Por mais que tenhamos um altar para as nossas práticas mágicas e conexões é importante separar um cantinho especial para nossa conexão com o Sagrado Masculino.
Não necessariamente um altar fixo, pode ser um altar móvel em que você monta apenas nas suas transições de ciclo, reconsagrações e vivências.
Há um post no blog do Falo o Sagrado Masculino que fala dos instrumentos que podemos colocar no nosso altar. Sugiro que leiam ou releiam: O Altar dos Mistérios Masculinos
É importante que coloquem nesse local objetos e imagens que te ligam a Masculinidade como fotos de ancestrais, imagens de Deuses, canivete, adagas, lança, cristais como cornalina, olho-de-tigre, pedra do sol, objetos fálicos entre outras coisas que acharem necessário.

Ritual –

Trace um Círculo Mágico de proteção e convide seus ancestrais masculinos da terra do sangue e da Arte para se fazerem presentes, lhe protegendo e guiando durante seu ritual.
Acenda um incenso solar e uma vela verde, uma laranja (dourada ou amarelo) e deixe uma vela branca reservada apagada no altar – lembrando de consagrar as velas antes de acendê-las para o Senhor das Dez Mil Faces com um óleo de almíscar ou musgo de carvalho. E faça uma invocação ao Senhor das Dez Mil Faces.
Faça um agradecimento ao Deus do seu ciclo que findou agradecendo a pelas bênçãos, aprendizados e companhia que ele te fez nesse período. Se achar necessário faça uma oferenda para ele – pode ser uma vela, um incenso, um pouco de água, siga sua intuição.
Leia sobre o seu novo Deus de Ciclo e busque um elemento chave pode ser um objeto, um cristal, uma imagem, uma prece, um mantra ou até mesmo a representação animal dessa divindade, algo que te conecte a face desse Deus.
Medite e peça para que ele lhe guie nesse novo ciclo que está iniciando, abrindo seus olhos e coração para o que ele veio lhe mostrar. Deixe a coisa fluir naturalmente.
Pode utilizar esse momento para se conectar com seus ancestrais masculinos se conectando com a força deles ou pedindo um conselho através de algum oráculo.

Masturbação Sagrada (MS): Assim como o Falo é nosso elo com nosso Deus Interior, se masturbar liga-nos diretamente a ele e com a energia dos deuses. Assim como elevamos poder dentro de um círculo ritual cantando, tocando, dançando, caminho ao redor do círculo, ao se masturbar também elevamos uma grande quantidade de poder. Porém a Masturbação Sagrada é diferente de uma simples estimulo genital. Primeiramente você deve despertar em você seu Deus Interior o seu Poder Fálico, alcançar uma ereção, sem utilizar de meios como pornografia, que muitas vezes profanam algo tão sagrado que é o corpo, ou qualquer estímulo exterior que não venha de sua energia fálica. Ao se masturbar, você não leva sua concentração apenas para seu falo, mas sim para todo seu corpo, sinta a energia sendo elevada através de você ao sentir o orgasmo e a ejaculação se aproximando deve concentrar toda essa energia em algo específico, como enviar essa energia como cura para terra, ao ejacular toda essa energia é canalizada. Tem que estar atento para não se distrair apenas pelo prazer que o ato proporciona, tem que estar atento ao objetivo de sua Masturbação Sagrada, para onde ou para que, irá canalizar essa energia. Jorre seu sêmen em seu Vaso Branco ou outro recipiente.
Eleve o recipiente com seu sêmen e o consagre ao Senhor do Sêmen Sagrado o Grande Fertilizador.
Consagre-se com seu sêmen traçando um símbolo do Deus em sua testa.
Unte a vela branca com seu sêmen e a acenda enquanto canta, dança ou recita cargas ou preces ao Senhor das Dez Mil Faces.

O restante é essencial que você faça uma libação de seu sêmen a terra despejando sobre a terra ou um vaso de plantas. Se não for possível trace um pentagrama invocante com seu dedo indicador da sua mão de poder, banhado com seu sêmen no chão, mentalizando que todo o poder de seu sêmen é doado a terra.
Dessa maneira você irá se conectar com a face primordial do Deus, de fertilizador, doador de vida. Estará fazendo seu papel de homem sagrado doando de sua energia, de seu poder a Grande Mãe.
Após isso faça o quiser... cante, dance, escreva, crie... e oferte algo para seu Deus de Ciclo
por exemplo: nesse ciclo estou com Zeus ofertei para ele que toda quinta-feira desse ciclo irei fazer uma libação para ele.
Dessa forma você irá criar um vínculo com o Deus de seu ciclo.
Após dispense e agradeça a presença do Deus e de seus ancestrais masculinos e abra o Círculo.
Deixe ao menos a vela branca queimar até o fim. E de preferência use uma peça de roupa branca simbolizando o poder do sêmen e a força regenerativa do Deus.

Por Gawen Ausar


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Androginia- O retorno ao Eu Natural e o Descondicionamento da Sexualidade


Questionar o que é masculino e o que é feminino nos leva a encontrar velhas receitas prontas, características que durante séculos são atribuídas a um determinado sexo. Porém quando observamos a nos mesmos encontramos tanto essas características ditas masculinas como as características ditas femininas. Se você é um homem passa a reprimir as características femininas encontradas dentro de você para tentar se enquadrar nesse perfil o que a sociedade denomina de masculino. Se vc é uma mulher fará o mesmo com as características masculinas dentro de si. Ambos sofrerão por não dar vazão a sua Natureza plena e verdadeira como seres completos e naturalmente andróginos.

A sexualidade é um fator que nos últimos séculos foi usado e manipulado para classificar as pessoas e condicioná-las a viver de um modo padrão. Se você é um homem hétero deve gostar de determinadas coisa que alimentem seu instinto agressivo e competitivo (futebol, lutas e filmes de ação), é imposto que seja viril, forte e financeiramente bem sucedido, não demonstrando fraquezas ou sentimentos. Sua função na sociedade é se casar, procriar, proteger e sustentar a sua família. Esse proteger e sustentar não de uma forma afetiva mas de uma forma controladora e rígida. Qualquer tipo de homem que não se enquadra nesse perfil é considerado um fracassado, frouxo ou "mulherzinha". As mulheres por outro lado são estimuladas a gostar de coisas delicadas, sutis, que alimentem seu instinto de cuidado é imposto que sejam passivas, belas e recatadas. As que não se enquadram nesse perfil são meretrizes, "caminhoneiras" ou encalhadas.

O pior de tudo é que as pessoas realmente acreditam nesse padrão imposto e buscam isso, buscam se enquadrar no que a sociedade impõe sem levar em conta o que elas realmente são. Essa busca quando não bem sucedida leva a diversos quadros de desequilíbrio psicológico, como a depressão e a obsessão. A própria mídia alimenta isso dentro das pessoas através de novelas, filmes e músicas onde pessoas ditas bem sucedidas são seus personagens centrais, fazendo com que a massa viva essa falsa realização através do voyeurismo sentados em frente seus televisores.

As pessoas são condicionadas a buscar a realização fora de si, através de bens materiais, popularidade e sucesso financeiro. Vivemos em uma era visual de aparências onde o mais importante não é nem o ter e sim o mostrar que tem. Isso tomou uma proporção tão absurda que as pessoas ostentam até o que comem compartilhando no Instagram foto do prato de comida. Para mostrar que tem.
Não importa se você nunca conversou com a pessoa que te adicionou numa rede social  que importa é você mostrar que tem "k" de seguidores. Não importa o fundo da foto, o que importa é a "self" com um sorriso "fake" para ostentar uma felicidade vazia que não existe. Muitas vezes não importa quem está pessoalmente do  nosso lado, damos mais atenção para nossos celulares e ao invés de conversar com os amigos ficamos fazendo cheking no restaurante mais uma vez para mostrar que tem.

Podemos chamar essas pessoas de vazias, pois ao mesmo tempo que estão nessa busca incessante demostrar que tem coisas exteriores, não possuem nada por dentro. Não possuem vínculos de amizade verdadeira, vivem muitas vezes em relacionamentos de aparência e o pior de tudo não sabem que são fantoches de um sistema.

Acredito que viemos ao mundo responder essa grande questão que sempre nos rodeia "Quem somos nós?" A mídia e até mesmo as religiões que servem para manipular a massa, tentam nos afastar o tempo todo dessa questão, seja nos distraindo com futilidades de programas televisivos, ou nos doutrinando a pensar que Deus é algo que está fora e que somos apenas "pecadores" que viemos nesse mundo para o sofrimento, visando uma libertação no pós-vida.

Mas se pararmos para voltar a grande questão "Quem sou eu?" mergulharemos numa busca interior e descobriremos que nenhuma resposta está fora e sim dentro, que Deus não está fora, mas dentro de nós e em tudo o que nos rodeia, teremos consciência de que somos condicionados e manipulados a acreditar que somos algo limitado "homem", "mulher", "hétero", "gay", "magro", "gordo" e que por isso temos que nos limitar a um tipo de comportamento muitas vezes negando nossos anseios internos. E a partir do momento que temos consciência de que somos seres ilimitados, múltiplos e que estamos conectado ao todo começamos esse processo de descondicionamento. Esse processo só se inicia a partir dos auto questionamentos e observação do nosso comportamento e da sociedade.

Não é um processo fácil, até mesmo porque não é um assunto popular, fácil de ser debatido em uma roda de amigos. As pessoas tem medo de descobrir quem elas são e não se verem mais enquadradas nesses perfis que a sociedade nos condiciona. Estar descondicionado causa medo em algumas pessoas que preferem viver um dogma que as disciplinem e a ouvir uma "palavra" que diz o que elas devem fazer do que se aventurar nessa busca interna do seu verdadeiro Eu.

É fato que conforme vamos quebrando os tabus que nos cercam vamos criando mais consciência de nós mesmos e aceitar aquilo ou quem somos é algo libertador. Eu durante grande parte da minha vida fui discriminado por ser feminino, essa opressão externa era tão grande que passei a me auto oprimir. na infância essa feminilidade se desenvolveu de modo tão natural que não me sentia diferente de ninguém, eu era simplesmente e puramente Eu. Porém quanto mais ia crescendo mais opressão ia sofrendo dentro de casa através da figura paterna e fora de casa seja pelos colegas de escola ou da rua e na Igreja.
De fato essa sempre foi uma ferida muito grande dentro de mim e sempre sofri diversas agressões verbais e físicas por ser assim, chegou ao ponto de eu me odiar por ser como eu era e pedir a Deus com todas as forças que mudasse o meu jeito de ser. 

Conforme fui crescendo fui rotulado "gay" esse era o meu rótulo. Já que não tinha o comportamento dito "masculino" não era considerado um "homem normal". E por muito tempo acreditei nisso, e achei que finalmente teria me encontrado que era "gay" e que na comunidade gay encontraria a aceitação e seria considerado normal. Mas a comunidade gay não é esse arco-iris todo colorido e purpurinado que muitos pensam e encontrei tanto preconceito e discriminação dentro da comunidade gay quanto fora. Esse inclusive foi um dos motivos que me fez abandonar o ativismo LGBTT, pois estava levantando um bandeira e defendendo uma comunidade que me oprimia tanto quanto a sociedade.

O fato é que a comunidade gay em sua maioria é machista. Não culpo os gays em si por isso, afinal somos frutos dessa sociedade machista e que nos marginaliza por não demonstrar um padrão. Porém isso não anula o fato de a maioria dos gays serem machistas. Vejo isso como uma tentativa de se enquadrar nessa sociedade. Então tudo bem eu ser gay desde que eu seja heteronormativo, tudo bem eu ser gay desde que não seja o passivo, tudo bem ser gay mas não curto afeminados. Ou seja o feminino dentro da comunidade gay é tão oprimido e inferiorizado quanto fora dela.

O paganismo por ter uma filosofia feminista e de resgate da valorização dos papeis femininos na sociedade e através da Deusa como a Grande Mãe que cuida e protege seus filhos sem julgar ou citar uma regra, foi um campo seguro para essa minha busca interior. Através do Sagrado Masculino, fui atrás desse ideal masculino diferente da sociedade patriarcal, fui buscar entender e me conectar com os arquétipos masculinos que existiam dentro de mim e puder ver como a minha feminilidade é natural, normal e bela. Hoje tenho um enorme orgulho de ser quem eu sou e a maneira como me expresso. Jamais serei um "machão patriarcal" mas me considero mais macho que muito homem. Por ter buscando incansavelmente dentro de mim o meu Eu Masculino e com isso feito as pazes com o meu Eu Feminino.

Por isso considero a Androginia como o processo natural do ser humano, todos somos homens e mulheres, todos somos masculinos e femininos. Nada impede uma mulher de ter bravura, independência, força e isso não a torna menos feminina. Como nada impede um homem de ser sensível, vaidoso e afetuoso e isso em nada inferioriza e diminui a masculinidade dele.

Somos serem muito mais complexos para sermos rotulados e não se permitam serem rotulados, não se condicionem a ser aquilo que a sociedade ou a sua família espera que você seja. Busque dentro de si o que você realmente é procure quebrar os tabus que nos oprimem, que se tornará pessoas mais saudáveis e felizes interiormente. Nossa sexualidade é livre e podemos expressa-las da maneira que sentimos vontade. Não me rotulo como gay, pois sou livre para amar e me apaixonar por qualquer pessoas independente do sexo dela, me sinto atraído por pessoas com ideias interessantes e opiniões sucintas. Não acredito no ideal de relacionamento romântico e me recuso a me condicionar a ter um relacionamento cheio de moldes e padrões. Acredito que estamos em um momento em que tudo isso tem sido questionado e que uma mudança verdadeira começa a acontecer. Iniciamos essa mudança no mundo dentro de nós. Busque ser você mesmo, conheça-te a ti mesmo.


Post inspirado através de reflexões da leitura do livro de Regina Navarro Lins "A cama na varanda - arejando nossas ideias a respeito de amor e sexo".
Indico essa leitura a todos que estejam buscando esse descondicionamento e que pesquisam sobre patriarcado e feminismo. É um livro fácil de ser lido, crítico e que nos levanta muitas reflexões a respeito que lidamos com nos mesmos e com  os outros.

P.S. Não achei a fonte do autor da imagem do post, encontrei no Pinterest. Caso alguém saiba o autor da imagem comente para eu dar os devidos créditos.

Entrevista na íntegra a Revista Mandala

                          


Depois de um longo período de silêncio, estou aqui de volta inspirado para preparar novas postagens para os leitores e seguidores que me acompanham por aqui e que a um tempo estão pedindo novas postagens.

Recentemente dei uma entrevista para a revista online Mandala, a repercussão da matéria foi muito boa e resolvi postar a entrevista que dei na integra aqui para vocês.

Quem não leu a matéria, esse é o link da matéria completa: http://revistamandala.com.br/o-que-e-o-sagrado-masculino-e-como-ele-pode-torna-lo-um-homem-melhor/

Entrevista para a Revista Mandala por Edmar Borges


1. Quando você conheceu o tema do Sagrado Masculino e qual sua motivação para seguir conhecendo-o mais? 

R: Em 2009 enquanto aprofundava meus estudos sobre paganismo, magia e bruxaria no até então Grupo de Estudos Pagãos de Santos. As mulheres do grupo celebravam a Segunda Vermelha e tinham encontros regulares para estudarem e se conectarem com o Sagrado Feminino. Isso de certa forma me incomodava pois estava adentrando os mistérios da bruxaria e nesse ponto me sentia excluso por ser homem e não compartilhar dos mesmos mistérios. Foi então que o grupo de estudos entrou em contato com um coven e em um dos encontros ouvi falarem sobre Mistérios Masculinos, que eram restritos apenas para os iniciados da tradição deles, porém isso me fez pensar que existia então dentro da bruxaria mistérios masculinos assim como o feminino. E foi aí que resolvi pesquisar sobre tema. Nessa época ao jogar na busca do Google “sagrado masculino” e “mistérios masculinos” não aparecia nada sobre o tema, exceto algumas invocações e cargas do Deus de Chifres. Não havia nenhum site, blog, ou fórum que discutia o tema na internet para eu entrar em contato e iniciar minha pesquisa. Foi então que percebi que essa busca não seria nada fácil, porque muito já se falava do Sagrado Feminino mas não havia nada sobre Sagrado Masculino disponível na internet. Foi através de livros que encontrei conteúdo a esse respeito. A primeira vez que me deparei com o termo Sagrado Masculino foi através do livro de Eugene Monick “Falo: A Sagrada Imagem do Masculino”. Esse livro foi o maior divisor de águas da minha vida, pois ele trouxe os questionamentos que estavam latentes dentro de mim como “O que torna um homem um ser masculino?” e “Qual a diferença entre masculinidade e patriarcado?” e me fez encontrar essas respostas através do estudo da natureza do falo sob uma visão da psicologia. Minha principal motivação nessa busca era pelo fato de se gay e ter minha masculinidade questionada desde a infância por conta de ser efeminado. Antes de estudar e vivenciar os mistérios da verdadeira masculinidade se alguém falasse que eu era efeminado isso me feria profundamente, pois desde pequeno ouço falarem “anda igual homem”, “fala igual homem”, “senta igual homem”, “não pode dançar porque não é coisa de homem” entre aquelas piadas e apelidos nada carinhosos que colocavam simplesmente por eu ter um comportamento diferente do padrão imposto pela sociedade do que é masculino. Tinha uma intuição que dentro da bruxaria conseguiria fugir desse padrão e encontrar o verdadeiro significado do que é ser homem, sem os julgamentos cristãos e patriarcais, pois desde que iniciei meus estudos sobre paganismo passei a questionar esses padrões impostos pela sociedade machista, já que me identificava como homem mas longe de ser o “machão” modelo do sistema patriarcal.   

2. Qual a natureza do Sagrado Masculino, na sua opinião? Digo isso em termos de nomenclaturas e definições. Seria uma cultura, um estudo, uma corrente religiosa, uma vertente espiritual? Como você enxerga esse tema enquanto categoria do pensamento? 

R: O Sagrado Masculino existe desde as épocas remotas de nossa história e através de estudos 
antropológicos, mitológicos e teosóficos conseguimos analisar as diferentes formas que o homem se relacionou consigo mesmo como ser masculino e sua conexão com o Sagrado. A religião influenciou e ainda influência a visão que nossa sociedade faz de masculino, porém a conexão com o sagrado não está ligado a uma religião o Sagrado Masculino é um movimento de correntes filosóficas do estudo arquetípico do Homem em uma busca pelo autoconhecimento.   

3. Para você, qual a principal importância do autoconhecimento e da sabedoria que acompanha as descobertas com relação ao Sagrado Masculino? O que essa investigação pode trazer de benefícios para a vida dos homens e suas relações consigo mesmos e com os outros? 

R: A cura do homem. É inegável que vivemos em uma sociedade doente onde o materialismo da Era Capitalista cega as pessoas, impedindo-as de se conectarem consigo mesmas e buscar a felicidade dentro de si, a mídia manipula a massa para acreditar que a felicidade e a plenitude está fora em bens materiais e no consumo. O autoconhecimento só é possível através da autoanálise, se conhecer e se analisar se voltar para o sagrado que existe dentro de si gera o descondicionamento, a cura de feridas psicológicas e emocionais que nos são impostas pela sociedade, pela nossa família e circulo social e até por nós mesmos. 

4. Quais as principais considerações práticas do Sagrado Masculino? Como funcionam as comparações com o ciclo solar, quais são as possíveis interpretações comportamentais e de que maneira esse conhecimento interage com a ação humana? 

R: Minhas práticas do Sagrado Masculino são relacionadas aos ciclos solares e lunares. Não relaciono apenas o homem com o seu eu masculino relaciono ao feminino também. O patriarcado é um sistema cruel aos homens por fazer com que neguem e oprimam parte de si mesmos, pois acredito que todo ser humano é um ser polarizado e através do estudo da psique masculina e de práticas meditativas podemos nos conectar plenamente com ambos os polos que somos feitos. Não existe uma regra, um molde ou uma verdade absoluta de como trabalhar com o Sagrado Masculino, gostaria de deixar isso claro, pois atualmente vivemos um momento em que mais homens tem buscado uma filosofia de vida diferente do sistema dominante patriarcal e cada dia tem surgido mais blogs, sites, círculos e covens trabalhando com  o Sagrado Masculino. Alguns com bases mais sólidas na psicologia e antropologia e outros com bases não tão sólidas. Não julgo e nem muito menos desprezo a maneira de cada um utiliza para se conectar com o sagrado, só acho desnecessário algumas pessoas as vezes quererem impor um padrão ou a sua verdade acima dos outros. É muito bom ver cada dia mais homens despertando para um pensar diferente a respeito da masculinidade e sobre si mesmos e o principal foco disso é gerar uma mudança na maneira de pensar e agir dos homens, não os colocando abaixo e nem acima do feminino mas como iguais. Meu trabalho com o Sagrado Masculino por muito tempo foi uma busca individual e assim que encontrei algumas respostas internas passei a aplicar a outros homens que tinham essa mesma busca através de um Círculo de Homens onde discutíamos sobre a imagem do masculino, nossas vivencias pessoais, estudos mitológicos e vivências meditativas guiadas por mim. O trabalho se transformou com o passar do tempo conforme ia me aprofundando mais em pesquisas e vivências e foi evoluindo junto com a minha evolução pessoal, até que se consolidasse em um modelo prático que apliquei para grupos diferentes de homens.  
Como disse anteriormente nossa sociedade atual busca mais fora do que dentro as respostas para nossos problemas, com o Sagrado Masculino faço esse trabalho inverso, a busca é interior. O primeiro passo dessa busca é entender que como seres da natureza vivemos em ciclos como a própria Terra. Esses ciclos são diversos e os classifico como macrociclos, mesociclos e microciclos. Os macrociclos estão relacionados ao ciclo de nossa vida – nascimento, infância, adolescência, vida adulta, velhice e morte. Os mesociclos estão relacionados ao movimento solar e da Terra as estações do ano, ao ápice e ao declínio de energia do Sol. E os microciclos relacionado ao movimento da Lua, ou seja, os meses. Através do Sagrado Masculino ensino os homens a entenderem, respeitarem, honrarem e celebrarem os seus ciclos. Para as mulheres é mais fácil se conectar com seus ciclos por conta da menstruação, os homens podem aprender a medi-los através de métodos relacionados a astrologia ou numerologia.  Os arquétipos masculinos são facilmente relacionados aos macro e mesociclos (Criança, Jovem Guerreiro, Rei e Sábio Ancião), no entanto nos microciclos são sorteados arquétipos masculinos para serem meditados e trabalhados nesse curto período. Através do estudo desse arquétipo e de meditação de como ele se manifesta em sua vida e em sua personalidade faz com que o homem se conecte com o sagrado, analise e entenda suas vivências e busque as respostas para seus anseios pessoais dentro de si. Os mesociclos são celebrados através do estudo e de meditações dos arquétipos relacionados ao período do ano. Geralmente esse estudo é iniciado após o Solstício de Inverno, onde através de textos e meditações faço com que os homens regridam a sua infância analisando de forma psicológica e comportamental sua Criança Interior. Buscando encontrar as feridas que nos foram causadas nesse período encarando não só a plenitude de seu arquétipo infantil como também suas sombras. Esse é o primeiro passo para a cura, pois muito das dores psicológicas e emocionais que carregamos em nossa vida adulta tem origem na infância e por não sabermos lidar com isso negamos ou simplesmente escondemos no esquecimento. A próxima etapa é a Cisão quando através de meditações e vivências rituais rompemos com os traumas da infância. Analisamos e identificamos nossas inflações e castrações e buscamos curá-las através de atitudes e práticas de nosso dia-a-dia. Diria que essa é a parte mais difícil e dolorosa do processo, muitos homens não conseguem desapegar dos velhos conceitos do passado por estarem muito impregnado em sua psique. Muitos não conseguem encarar suas sombras e medos infantis e acabam ainda ficando presos na infância. O Sagrado Masculino é um caminho de transformação se não realizamos a cisão com o velho eu, não conseguimos realizar a transição para a verdadeira masculinidade que é a próxima etapa de estudos e meditações do mesociclo.  Na Transição fazemos o que infelizmente a sociedade deixou de fazer pelo homem, um rito de passagem. Não sabemos dizer exatamente quando deixamos de ser criança e nos tornamos homem, diferente das mulheres que tem uma referência biológica para o início dessa transição através da menarca. Nesse mesociclo após romper em definitivo com a infância é passado através de textos e vivências meditativas o estudo e a análise dos arquétipos maduro do homem. Nessa fase também é essencial que o homem conheça seu corpo e se conecte com a sua energia sexual, utilizo do estudo e exercícios práticos de tantrismo e taoísmo que levam ao controle da energia sexual assim como a retenção da ejaculação. No mesociclo seguinte a sombra arquetípica é estudada. Não a sombra infantil que já deve ter sido 
superada no período da Cisão e sim a sombra arquetípica do homem maduro. Encarando nossas sombras conseguimos não teme-las e sim compreender quando ela nos impulsiona a agir de maneira descontrolada. Devemos aprender a controla-la e estar conscientes de quando estamos em desequilíbrio, analisando o que causou esse desequilíbrio e de que forma agir para se equilibrar consigo mesmo. Nessa fase também aprendemos a como lidar com a nossa contraparte feminina. Muitas vezes o tempo de um mesociclo completo não é tempo suficiente para passar por todas essas vivências de maneira plena. Cada um tem o seu tempo de evolução e um caminho de transformação requer mudanças de paradigmas e comportamentos que pode ser muito difícil para alguns homens.  

5. Você tem algum conselho para quem está começando a aprender sobre o Sagrado Masculino, especialmente para os homens?

R: Meu conselho é ESTUDEM! Muitos homens começaram a me procurar pedindo orientação, principalmente depois que escrevi o blog Falo – O Sagrado Masculino, porém a grande maioria não se dedicava no estudo, e nas meditações. Vivemos numa era em que as pessoas esperam que os gurus e os sacerdotes deem todas as respostas para seus questionamentos internos, assim de forma pronta e instantânea sem nenhum esforço ou trabalho. E não é assim que funciona muito pelo contrário, o Sagrado Masculino causa mais questionamentos do que dá respostas. É necessário que cada um busque essas respostas dentro de si. Então se vocês se depararem com esses cursos “fast food”, ou esses pseudo sacerdotes que dizem que com tantas parcelas de não sei que valor você será iniciado no Sagrado Masculino, desconfiem. A conexão com o sagrado não está em nenhum curso, em nenhum sacerdote está dentro de vocês. Vai de cada um querer, buscar, estudar e meditar para encontrar essa conexão verdadeira.  

 6. Gostaria que você comentasse um pouco sobre o equilíbrio entre os Sagrados Masculino e Feminino. Na sua opinião, inclusive, essa determinação dualística (homem e mulher) pode ser limitada, por excluir manifestações de gênero que se alternam e não necessariamente habitam apenas um dos campos (masculino ou feminino)? 

R: A questão de gênero é bem polêmica ainda mais nesse momento que estamos onde a diversidade está cada vez mais livre para se manifestar. Como disse anteriormente acredito que somos seres polarizados, não somos 100% masculinos e 100% femininos. O Sagrado Masculino e Feminino são uma coisa só, pois um existe dentro do outro e em separado. O que acontece é mulheres tem um corpo biológico, mental e emocional diferente dos homens e vice-versa e por isso que existe esse estudo e vivências de forma separada. Porém é essencial para o homem ter conhecimento sobre o Sagrado Feminino. Isso é fundamental para ele aprender a valorizar a imagem do feminino, aprender a lidar melhor com as mulheres e respeitar os ciclos e as necessidades femininas. Da mesma forma as mulheres precisam conhecer o Sagrado Masculino, tanto para criarem seus filhos dentro de um ideal diferente de masculinidade livre dos conceitos retrógrados do patriarcado e aprender sobre como lidar com os homens e com o masculino que há dentro delas mesmas.  Não importa o gênero, somos seres muito mais complexos para sermos classificados apenas pelo nosso órgão sexual e a conexão com o sagrado não se limita ao sexo.  

7. Você conhece o Deus Azul, que seria o “Sagrado Andrógeno”? Conheci recentemente essa 
personalização e achei muito interessante por ser inclusiva. Caso conheça, gostaria que comentasse o que pensa sobre a “criação” recente desse deus e como isso é válido (ou não) para o Paganismo em geral e para os movimentos sociais de minoria sexual e de gênero

R: Tenho uma opinião bem polêmica a esse respeito. Logo no início da minha busca pelo Sagrado Masculino me deparei com Dyan Glass ou Deus Azul citado no mito da criação da tradição de Victor Anderson ele é a face primordial do Deus que ao desprender da Deusa ainda não assumiu totalmente a forma masculina. O que foi usado pelos homossexuais como uma face gay do Deus. Além dele foram surgindo outras divindades que foram ganhando essa categoria contemporânea de Deus Queer ou Deus Gay. Isso só reflete a busca do ser humano por encontrar algum padrão no plano divino que justifique o seu modo de ser. É mais fácil achar um Deus que seja gay como eu para me conectar com o sagrado, do que ir muito mais a fundo na minha psique e entender o porquê eu sou gay e o que isso influencia na minha maneira de ser e no meu contato com o sagrado. Ter um Deus gay que me aceita e pronto é confortante perante uma sociedade construída com base na heteronormatividade com um Deus único e poderoso que condena os gays. Por isso não julgo aqueles que prestam cultos aos deuses queers, só tenho a opinião de que isso é limitador. Ser homem não está ligado a maneira como você manifesta a sua sexualidade, muito menos ao seu gênero é algo além disso. O que os gays precisam entender é que sua sexualidade é apenas uma parte pequena do que você é, não se permitam serem rotulados por isso, não tenham medo de explorar os aspectos arquetípicos que vocês possuem achando que ser masculino é ser hétero porque não é isso. Se abram para a conexão verdadeira com múltiplas faces do Deus que descobrirão quão múltiplo vocês são.  


Imagem: Macho Alfa 2009 Escultura de Resina de Daniel Castro Camelas

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Hieros Gamos – A União do Sagrado Masculino e Feminino



Em diversos mitos vemos casais sagrados, de cuja união geram vida, fertilidade e amor. Ísis e Osíris, Hera e Zeus, Inana e Dumuzi, Eros e Psiquê, Ishtar e Tammuz entre outros. Esses casais representam nada mais do que a plenitude masculina em união com a plenitude feminina.

Quando um homem conhece seu corpo, honra seu Deus Interior e reconhece e honra o sagrado que há na mulher e há uma reciprocidade entre ambos a união das contrapartes gera uma energia que não só os envolve como um casal, mas sim a todos que estão ao seu redor, a sua comunidade e a Terra.

A sinergia gerada por essa união não se manifesta apenas no âmbito sexual, pois os envolve de forma mais profunda gerando um elo de forma que mesmo separados continuam ligados energeticamente. Um Homem Sagrado sabe honrar e respeitar os ciclos da mulher e não há o desejo de posse, pois a Mulher Sagrada pertence a si mesma. Não há o sentimento de culpa, pois ambos conhecem o poder que fluí deles. Não há dominação, pois não são opostos, mas sim complementos. As barreiras de tempo e espaço deixam de existir, pois se tornam apenas o Uno e o Atemporal. Ambos experimentam o ápice do poder de seu gênero de forma pura e transcendente, pois seus corpos se tornam canais que os ligam a energia cósmica da natureza. Há o sentimento de afeto, proteção, amizade, companheirismo e o amor incondicional.

Se todos os homens aprendessem a se conectar com o seu Eu Sagrado, honrando seus ciclos junto à natureza e da mesma forma as mulheres e enxergando um no outro a centelha divina, não haveria tantos problemas de relacionamento e a Guerra dos Sexos acabaria sem perdedores.
O mal de nossa sociedade atual é que os sexos se opõem ao invés de se unirem e buscarem um crescimento e evolução juntos de forma que toda a Terra se beneficiaria dessa união. Não existiriam estupros, violência e crimes de ódio. O machismo e o feminismo enquanto forem vistos por uma visão distorcida um do outro onde os machistas buscam dominar o sexo feminino e as feministas dominarem o poder que tanto tempo ficou na mão dos homens e dominá-los de forma que os inferiorizem não haverá o verdadeiro equilíbrio.

O homem se inflou de tal forma que a energia masculina se desequilibrou e com o passar dos anos isso só tem piorado. Porém não há culpados. Não podemos culpar apenas os homens pelo desastre que nossa sociedade atual causou não só as mulheres, mas aos próprios homens e a Terra.

No livro Rei Guerreiro Mago Amante os autores afirmar que é evidente que o mundo está superpovoado não só de homens imaturos mas também de menininhas tirânicas e prepotentes fingindo que são mulheres. Ainda alegam que tem havido uma verdadeira guerra contra o sexo masculino, que chega ao ponto de uma total demonização dos homens e difamação da masculinidade e que as mulheres não são mais inerentemente responsáveis nem maduras do que os homens. E concluem dizendo que: “Os homens não devem ficar se desculpando pelo seu sexo, como sexo. Devem preocupar-se com o amadurecimento e a administração desse sexo e do mundo mais amplo. O inimigo de ambos os sexos não é o sexo oposto, mas sim a grandiosidade infantil e a divisão do Si-mesmo dela resultante.”

Se ambos os sexos reconhecerem que são vítimas na Guerra dos Sexos e que ao invés de se oporem buscarem o amadurecimento de forma que se conectem com seu Eu Sagrado, iriam se unir de forma que essa união resultasse como a união dos Deuses em vida, cura, fertilidade e amor não apenas para o homem e a mulher mas para toda Terra.

E os homossexuais onde ficam nessa história?

Quando falo de homem e mulher estou falando de gênero e isso não tem relação com sexualidade. Há muitos gays que desprezam o sexo feminino, assim como algumas lésbicas repudiam o sexo masculino. Se ambos se conectarem com a verdadeira essência de seu gênero acessando o sagrado que há dentro de si enxergaria e honraria o sagrado que há dentro de cada um, não importando seu sexo, sua etnia, e muito menos sua sexualidade.

O Hieros Gamos que nas sociedades antigas ocorriam entre o Rei e a Rainha ou entre os altos sacerdotes para fertilizar a Terra e trazer colheitas prósperas deve ocorrer em nossa sociedade atual com a união entre os Homens e as Mulheres, ambos se conectando com suas divindades interiores de forma que a Terra se cure e que as gerações futuras colham paz, equilíbrio, união e amor.

Por: Gawen Ausar  (Natan Brith)

Bibliografia: MOORE, Robert e GILLETTE, Douglas – Rei Guerreiro Mago Amante – A Redescoberta dos Arquétipos Masculinos. Rio de Janeiro – Editora Campus, 1993

domingo, 6 de maio de 2012

A Sombra





A sombra masculina mostra tudo o que vemos hoje na sociedade patriarcal. Pois com a perda da conexão do homem com seu Deus Interior e a ausência dos ritos de passagem que quase não existem. Vivemos em uma era de Homens-Meninos.
Quando o homem não realiza sua transição para a Masculinidade Sagrada se torna uma criança inflada, vivendo sob a influência de sua sombra. No livro Rei Guerreiro Mago Amante, os autores Robert Moore e Douglas Gillette afirmam:
“O traficante de drogas, o líder político indeciso, o marido que bate na mulher (fisicamente e verbalmente*), o chefe eternamente ranzinza, o jovem executivo metido a importante, o marido infiel, o funcionário ‘capacho’, o membro da gangue, o pai que nunca encontra tempo para participar das programações na escola da filha, o treinador que ridiculariza seus atletas talentosos, o terapeuta que inconscientemente agride o ‘brilho’ de seus clientes e busca para eles uma espécie opaca, o yuppie – todos esses homens têm alguma coisa em comum. São todos meninos que fingem ser homens. Ficaram assim honestamente, porque ninguém lhes mostrou o que é ser um homem amadurecido.”
*grifo meu
Esses arquétipos tão vistos hoje em dia são resultado de uma era de imposição patriarcal, onde o homem se desconectou com seu Deus Interior.
Para detalhar como funciona a estrutura dos arquétipos masculinos, basta visualizar uma pirâmide. No ápice da pirâmide fica o arquétipo em plenitude e em sua base a sombra. Tanto os arquétipos do menino como os arquétipos do homem possuem quatro facetas e cada faceta possui uma sombra bipolar conforme a manifestação arquetípica – falta de conexão com o arquétipo (negativo) e excesso de conexão com o arquétipo (positivo).

                                                                                  
O menino que vive um arquétipo sombra será o correspondente do arquétipo sombra quando homem, pois, não realizou uma transição para o amadurecimento.
Os homens por não conseguirem se conectar com o seu Eu Sagrado e com o Deus, que há dentro de cada homem, não alcançaram a plenitude de seu arquétipo manifestando apenas sua sombra.
Assim como Rá que passa sua Barca dos Milhões de Anos após o pôr do Sol pelo Submundo, enfrentando diariamente a serpente Apep (Apófis), símbolo da destruição e do caos. Somente destruindo o monstro ele poderia renascer regenerado para iluminar um novo dia, ou seja, quando enfrentamos nossas sombras e a equilibramos nos conectamos com o ápice de nosso arquétipo, nos conectamos com o Falo.

Por: Gawe Ausar (Natan Brith)
Fonte:
MOORE, Robert e GILLETTE, Douglas – Rei Guerreiro Mago Amante- A Redescoberta dos Arquétipos Masculinos. Rio de Janeiro – Editora Campus, 1993.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Circuncisão



Circuncisão ou Postectomia nada mais é do que a remoção do prepúcio, película que protege a glande (cabeça) do pênis. Mas por que realizar a retirada do prepúcio? E quais as vantagens e as desvantagens de não possuir um prepúcio?
A razão para realizar essa cirurgia pode ser por questões de saúde, cultural ou até mesmo estética.
A circuncisão é realizada por diversos povos desde a antiguidade, é a operação mais antiga que se tem registro depois do corte do cordão umbilical, muitas vezes era realizada como um ato de conexão e aliança com Deus. O homem marcava o símbolo da sua masculinidade simbolizando sua conexão com o divino, com o Sagrado.
Para os egípcios os sacerdotes do templo se circuncidavam como sinal de afiliação a Rá, o Sol Criador, que circuncidou a si mesmo em um ato que é descrito no Livro dos Mortos. Há imagens egípcias de mais de 5000 anos onde está registrado o ato da circuncisão em jovens egípcios. Heródoto, o historiador grego acreditava que os próprios egípcios haviam inventado o rito.


Além de ser visto pelos egípcios como um ato sagrado era um ato de limpeza, pois o povo egípcio se preocupava com a livre circulação das secreções sem que se acumulassem resíduos. E não estavam errados, pois o prepúcio permite a acumulação de esmegma que é uma secreção natural de umidade e de óleos da pele interna do prepúcio. O esmegma é comum entre machos e fêmeas de diversas espécies e serve para lubrificar o prepúcio e preservar a glande. Porém o acúmulo de esmegma (palavra de origem grega que significa “sebo”) além de causar mau cheiro possibilita o desenvolvimento de bactérias causando irritações e até mesmo doenças.
Além do acúmulo de esmegma o prepúcio também permite o acúmulo de urina e sêmen, para evitar tais acúmulos o indicado é manter uma higienização adequada da glande e prepúcio utilizando de água morna e sabão. Porém vivendo em um clima quente e desértico, e a água sendo muitas vezes escassa, os egípcios adotaram a circuncisão como prática comum com a finalidade de evitar acúmulo de resíduos e facilitar a higienização do falo.
Os hebreus podem ter aprendido a prática da circuncisão com os egípcios, e utilizavam esse ato como uma relação entre o homem, seu falo e Deus. Todo homem em seu oitavo dia de vida devia ser circuncidado, pois segundo a mitologia hebraica Abraão realizou um pacto com Deus e o símbolo desse pacto era a circuncisão de seu falo e de todos os seus filhos o que resultou no ritual judaico Brit Milah.
Com a circuncisão a glande fica exposta da mesma maneira quando o falo está ereto, simbolizando que esses povos cultuavam o falo, o marcando de tal forma que aparenta uma ereção permanente mesmo quando está em descanso. Segundo David M. Friedman, “(...) poucos rituais se comparam a esse em complexidades psicológicas contraditórias – algo físico, ainda que não fisiológico; sexual sem ser erótico; não-genético, mas genealógico; uma marca; mas não marca de nascimento, realizada no lugar exato que distingue o homem da mulher.”
Muitos povos utilizavam a circuncisão como um rito de transição de menino para homem. Porém nem todos os povos eram adeptos e viam a circuncisão com bons olhos. Os gregos que eram um povo que supervalorizavam a imagem do falo, viam a imagem da glande exposta como indecorosa e abominavam tanto a circuncisão judaica como a egípcia.
Quando Alexandria passou a ser um centro cultural helenizado, muitos judeus e egípcios sofriam certo preconceito e não eram bem aceitos nos ginásios gregos. Muito judeus para serem “aceitos” entre os gregos adotaram o Pondus Judaeus, um peso de bronze ou cobre, na forma de um funil, que era preso ao falo acima da glande. O metal pesado puxava e distendia a pele até cobrir a glande. Ou até mesmo tomavam medidas cirúrgicas chamada de epipasmos (“pôr sobre” em grego).
Mesmo no mundo atual a circuncisão é vista como um assunto polêmico. Pois ao realizar a cirurgia alguns nervos são rompidos o que retira parte da sensibilidade do falo, além do prepúcio ser um ponto erógeno para o homem. Com a exposição da glande ela se torna mais fosca, áspera e menos sensível, pois sofre um processo de queratinização, por ficar exposta ao calor.
A circuncisão pode ser vista sim como uma ligação divina entre o homem e seu Deus Interior, ou simplesmente uma marca cultural em honra a ancestralidade de seu povo. E deve ser adotada com consciência do seu ato e das consequências que ela provocará.
Estudos atuais constam que falos circuncidados evitam a contaminação e a transmissão do vírus HIV, porém não é totalmente seguro, o mais indicado pelo Ministério da Saúde é o uso de preservativos mesmo os homens circuncidados. Com isso a circuncisão foi adotada como medida para diminuir a epidemia de HIV na África Subsaariana.
Circuncidado ou não circuncidado, não importa, o que importa é a conexão do homem com seu falo, com seu Deus Interior. E claro a boa saúde e o bom funcionamento de seu órgão definidor. Conselho a quem deseja realizar a cirurgia procurar um urologista e conversar sobre o assunto e tirar todas as dúvidas a respeito. Porém a circuncisão não nos torna mais ou menos homens, mais ou menos sagrados. O que verdadeiramente importa é sua relação com seu Deus Interior.

Por: Gawen Ausar (Natan Brith)

Fontes:
FRIEDMAN, David M. – Uma Mente Própria- A História Cultural do Pênis, Rio de Janeiro: Objetiva, 2002

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O Tabu do Tamanho




Não é de hoje que rodinhas de adolescentes realizam disputa em vestiários de quem tem o maior da turma gerando piadinhas com aquele que possui o menor e louvor aquele que possui o maior. Muitos homens criam feridas por conta desse tipo de brincadeirinha infantil e muitas vezes sentem sua masculinidade “diminuída” por achar seu Falo inferior.


Cria-se uma espécie de medo em decepcionar na hora do sexo, por não se sentir confortável com o tamanho do próprio pênis. O que muitas vezes não possuí um fundamento biológico, pois um pênis considerado normal mede em média de 12,5 cm a 17,5 cm.


Atualmente a mídia super valoriza a imagem do Falo grande, no comercio pornográfico nos deparamos com diversos exageros. O que tem provocado cada dia mais a busca por cirurgias de aumento peniano.


Mas nem sempre foi assim, os gregos preferiam o pênis pequeno, como o de um adolescente em formação. Em suas esculturas e pinturas sempre usavam a representação do órgão em descanso e pequeno. Demonstravam desprezo ao retratar estrangeiros e escravos os representando em pinturas com falos grandes. Aristóteles até mesmo empregou a essa concepção estética uma base “científica” de que um Falo pequeno é melhor para concepção por achar que o sêmen esfria em um grande o tornando assim infértil.

Porém as hermaes eram construções fálicas com cabeça de Hermes que eram erigidas com falos grandes eretos no meio. Simbolizando muitas vezes conquistas militares e triunfo. O Falo era a figura de destaque na Grécia Antiga, pois simbolizava a ferramenta que transmitia ideais supremos e virilidade.


O que para os gregos era um sinal de bestialidade para os romanos o falo grande era um símbolo de força excepcional e até mesmo soldados eram promovidos pelo tamanho de seus Falos. Um falo grande para os romanos simbolizava poder, era respeitado, temido, e sempre cobiçado.

Com isso Príapo se tornou um dos ícones mais venerados, pois com seu Falo eternamente ereto e grandioso era o símbolo da masculinidade madura. Enquanto na Grécia era tido como um deus rural e com um culto considerado pequeno, em Roma era como um símbolo grandioso e com um forte culto.


Muito ouvimos falar da fama dos homens afro descendentes de possuírem falos maiores que os de etnia ariana. Porém essa fama já não foi nada boa, pois sofreram preconceito e eram tidos como incivilizados pelo tamanho de ser falo. Eram tidos como pervertidos e o contato de um falo negro com uma mulher branca era um dos maiores tabus durante muitas décadas nos EUA.


Venerado em algumas culturas, desprezado e perseguido em outras o falo e seu tamanho sempre foram temas polêmicos no decorrer de nossa história. Porém sempre pequeno ou grande seu valor não se encontra em seu tamanho. E sim em sua virilidade. Há homens que possuem falos grandes e sofrem sérios problemas de ereção, ou seja, possuir um falo grande nem sempre é sinal de virilidade. Até mesmo porque biologicamente não é necessário possuir um falo como o de Príapo para sentir e dar prazer em uma relação sexual.


O que ocorre de fato é que muitas vezes o homem não se senti seguro com sua própria masculinidade. Não se encarar como homem diante a sociedade por não se encaixar no estereótipo que a mesma impõe. Senti-se pequeno diante de um chefe ou um pai com um Falo- Ego enorme. Tendo a imagem de seu próprio falo, assim como de sua própria masculinidade, diminuída. Na maioria das vezes a questão é mais psicológica do que biológica de fato.


Quando o homem aprender a curar essas feridas e tiver consciência do sagrado que há dentro de si, fará as pazes com seu Falo, com seu próprio eu e será livre para amar verdadeiramente a si e aos outros sem utilizar como unidade de medida o tamanho de seu Falo.


De: Gawen Ausar (Natan Brith)


Fonte:

FRIEDMAN, David M. – Uma mente Própria: A história cultural do pênis. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002