sexta-feira, 25 de março de 2011

O Poder do Sêmen






O Sêmen ou esperma, é o produto da junção do espermatozóide e de fluídos seminais. O sêmen contêm hormônio, proteínas, minerais, vitaminas, potásio, zinco, enzimas, aminoácidos e proteínas alcalinas.Por conter tantos nutrientes o sêmen é altamente rico em sua composição química.
O Sêmen foi alvo de muitos mitos ao longo da história e do desenvolvimento do homem, no período Paleolítico, o homem ainda não possuia o entendimento do poder de seu sêmen, ainda não compreendia seus mistérios. Foi só quando o homem descobriu seu papel na fecundação que passou a compreender os mistérios desse seu fluído tão poderoso.
O Sêmen passou a ser de extrema importância para as sociedades primitivas, pois o homem passou a ter conciência de que era sua semente que fertilizava o ventre da mulher que gera a vida. Foi a partir daí que o homem passou a assumir o papel de fertilizador, e possuir, um sêmen forte e saudável, era essêncial para manter seu clã e sua tribo.
A pesar de reconhecer sua importância muitas culturas primitivas, ainda não conheciam sua origem, não sabiam onde o sêmen era produzido, o que criou uma mistificação sobre sua fonte, muitos achavam que vinham diretamente do deus. Porém os antigos elaboraram diversas teorias para explicar sua origem, os sumérios diziam que vinham dos ossos; os egípcios, da coluna vertebral; e os hindus do alimento. Alguns gregos apontavam o sangue, outros o cérebro ou a medula espinhal. Mesmo sua origem parecendo meio incerta para todas essas civilizações o Sêmen era algo extremamente sagrado e poderoso.
O Sêmen está relacionado na cultura dos antigos a ferilização da Terra (Deusa). Para os mesopótâmicos os rios Tigre e Eufrates eram o Sêmen do deus Enki.



"Depois que o Pai Enki, ergueu os olhos ao Eufrates,
Levantou-se cheio de luxúria como um touro ao atacar.
Ergueu o pênis, ejaculou,
Encheu o Eufrates de água corrente."
(...)
"Ele ergueu o pênis, levou os presentes de núpcias,
Como um grande touro selvagem, excitou o coração do Tigre,
E assistiu ao seu parto."
(Poema Mesopotâmico de 3000 a.E.C)


Para os egípcios os Sêmen também tinha o poder de gerar a vida. O que é contado no mito da criação de Heliópolis, que diz que Rá, copulou com o próprio punho, e que ao se sêmen tocar a terra, teve inicio a criação. Segundo o mito heliopolitano, Shu e Tefnut, o casal primordial surgiu do sêmen de Rá ao tocar o solo ou ao oceano primordial.



"Assim foste engendrado:
concebeste com a boca
e deste a luz de tua mão no prazer da ejaculação.
Eu sou o astro que se originou dos dois [dedos] de Rá."
(Texto Funerário, onde Shu fala sobre seu nascimento)


No mito do culto osiríaco, a inundação do Nilo está ligado a ejaculação de Osíris, quando é regenerado por Ísis. O Nilo é seu sêmen que torna as terras férteis para o plantio que fazia com que a vida fosse mantida. Todos os grãos e frutos que se comia das terras fertilizadas do Nilo, era como se estivesse se alimentando do sêmen sagrado de Osíris.
Os gregos, que valorizavam e sacralizavam muito a imagem do homem, também davam extrema importância e poder ao Sêmen. Tanto que passaram a dar ao homem o papel principal na reprodução, colocando as mulheres em um nível secundário.



"A mãe não é a verdadeira fonte de vida.
Nós a chamamos mãe, mas ela é a mais uma ama-de-leite,
O sulco em que a semente á lançada.
O que lança, o pai, é o verdadeiro genitor:
A mulher apenas cuida da planta em crescimento."


Aristóteles acreditava que só o sêmen dotava a criança de alma. Apesar de terem essa visão muito extremista do sagrado masculino e do poder do sêmen, os gregos foram os que mais se aproximaram da compreensão da origem do sêmen, quando relatam no mito do nascimento de Afrodite, que nasceu do sêmen que havia nos testículos de Urano, que foram cortados e lançados ao mar por seu filho Cronos.
Para os gregos o próprio vinho era o sêmen de Dionísio, que tinha o poder inebriante de causar alegria e loucura. As festas consagradas a Dionísio eram ligadas a fertilidade, orgistícas, banhadas com muito vinho consagrado a ele.
A pederastia dos gregos, ainda é muito má compreendida nos tempos atuais. Porém ia muito além de uma questão sexual, era uma questão educacional. Além de trasmitir conhecimento, os pederastas gregos trasmitiam através do sêmen a virilidade de uma maneira total, iniciando assim seus pupilos, não só nos mistérios da masculinidade, mas na própria sociedade.
Os romanos, antes do cristianismo ser oficializado como religião estatal, também herdaram muito dessas concepções gregas, e era um costume comum fertilizar os campos com o sêmen dos homens. Não obstante, os romanos não curtiam muito a idéia de um garoto que está sendo iniciado na masculinidade ser penetrado, pois comparam isso a humilhação, como se fossem igualados as mulheres. O corpo de um cidadão romano era propriedade privada, não podendo ser penetrado, mas o seu pênis trabalhava para o império.
Para os baruya, da Nova Guiné, um filho é o produto do esperma do homem. Uma vez dentro da mulher, porém, o esperma encontra-se misturado aos seus próprios líquidos. Se o esperma do homem vencer a água da mulher, a criança será um menino, caso contrário, será uma menina. Após a fecundação, o homem alimenta o feto por meio de coitos repetidos e o faz crescer no ventre da mãe. O esperma é o alimento que dá força à vida, e as mulheres enfraquecidas pela menstruação ou pelo parto bebem esperma. Um segredo dos homens baruya, que nenhuma mulher deve conhecer, é que o esperma dá a eles o poder de fazer renascer os jovens fora do ventre de suas mães, fora do mundo feminino, no mundo dos homens e apenas por eles. Assim que os jovens iniciados penetram na casa dos homens, são alimentados com esperma dos mais velhos. Essa ingestão é repetida durante vários anos, com a finalidade de fazê-los crescer mais e mais fortes. Para os baruya, o feto só se desenvolve graças ao esperma masculino. O leite com que mais tarde as crianças são alimentadas é o resultado desse esperma, já que, segundo eles, o leite da mulher nasce do esperma do homem.
Com o surgimento do cristianismo e da Era Medieval, o sêmen passou a ser visto como maléfico e pior diabólico. Alguns clérigos acreditavam que os demônios recuperavam o sêmen expelido por masturbações ou de amantes que não ejaculavam dentro de suas parceiras, acreditavam até que pegavam o sêmen de criminosos enforcados se demoravam para serem sepultados. E desse forma poderiam fazer sexo com humanos, os poluindo com seu sêmen. Aquino afirmava que os demônios tomavam a forma de mulher, conhecida como súcubo, e seduziam os homens e ao fazer sexo com eles obtinham seu sêmen. Depois, esse mesmo demônio assumia a forma de homem, conhecida como incúbo, e usava o sêmen roubado para fecundar uma mulher que ele seduzia. Durante esse peíodo o sêmen passou a ser encarado como algo sujo, putrido, e como transmisor de pecado, quando não era utilizado para a reprodução. Agostinho ensinou que o sêmen emitido durante o intercurso sexual é o agente pelo qual o pecado original passa de uma geração para outra. Essa idéia de Agostinho desnaturalizou o sêmen, transformando-o de agente de vida biológico, em um instrumento teológico de danação. Derramar o sêmen em uma mulher era assegurar a perpetuação da condição pecadora do homem. O sêmen que na antiguidade era a ligação do homem com Deus, passou a ser a ligação do homem com o Demônio.
Porém com o crescimento da ciência, cientistas como Leewenhoek e Spallanzzani, passaram a pesquisar, estudar o sêmen, que passou da visão satânica do período medieval e tornou-se agente mecânico de reprodução. Já Tissot atribuiu ao sêmen um poder valioso, ele passou a ser exaltado como uma substância essencial para a saúde e a produticvidade social, e seu desperdício com mastrubações ou coito interrompido era extremamente imprudente. Para Tissot os homens estariam em melhor condição se conservassem seu sêmen.
Não é atoa que o sêmen foi algo tão sagrado, temido e estudado durante a história do homem, pois é algo realmente imprecionante tanto sua produção, que não é um processo simples, quanto seu poder.


O sêmen é produzido pelos testículos, epididímo, vesícula seminal, próstata, gândulas bulbouretrais(glândula de Cowper e glândula de Littre) e vasos deferentes. Sua fabricação, que leva cerca de 11 semanas, começa nos canais seminíferos no interior dos testículos, nos quais a cabeça do espermatozóide é feita, então, desloca-se para o epidídimo, uma estrutura semelhante a uma vírgula é anexada. Nos testículos os gametas amadurecem lentamente, criando mobilidade e as propriedades bioquímicas necessárias para fertilizar um óvulo. A temperatura mais favorável para a fabricação dos gametas é de três a quatro graus abaixo da temperatura normal do corpo. Por isso os tésticulos ficam guardados fora do corpo na bolsa escrotal. Nem todos os gametas são bem formados, esse seria o motivo de emitirmos tantos, para que haja numa ejaculação maior chance de conter um espermatozóide forte e saudável com a capacidade de fecundar um óvulo. Há vários tipos de espermatozóides, há pelo menos oito tipos diferentes de cabeças, quatro tipos de cauda e dois tipos de parte central, com diversas variações entre esses tipos e sem mencionar o tamanho. Alguns gametas, geralmente os bem formados mais novos, são captores de óvulo, os outros são "espermatozóides camicases", cuja função é bloquear os espermatozóides de outros homens, ou incapacitá-los espetando-os na cabeça uma pequena dose de enzimas do acrossoma, a mesma substância usada para disolver a membrana do óvulo e fecundá-lo. Essa função biológica, se dá por conta de nas eras primitivas, nos rituais de fertilidade uma mulher se deitava com mais de um homem numa mesma noite, se tornando um campo de batalha entre espermatozóides em busca de manter seus genes e se tornar o grande campeão.
Um homem pode produzir a todo momento de dois a três milhões de espermatozóides, a eficáia dessa produção leva em consideração diversos fatores como a alimentação, pois para essa fábrica funcionar precisa de matéria-prima, e nesse caso é nossa própria energia, e tiramos nossa energia dos alimentos que ingerimos. Para uma boa produção de sêmen é necessário, uma boa alimentação e estar em um bom estado de saúde, a prática de exercícios também é fundamental, e deve-se evitar o uso de cuecas muito apertadas, forçando a aproximação dos testículos com o corpo o que leva a um aquecimento da temperatura que dificulta na produção de espermatozóides saudáveis.
O sêmen é imbuído de poder, pois tanto sua produção, sua composição como sua ejaculação envolve muita energia. Para se produzir o sêmen é utilizado sua energia, e quando você ejacula, seu organismo presume que você está apto para gerar uma nova vida, todos seus órgãos e todas as glândulas de seu corpo liberam a sua melhor energia, dando ao sêmen extremo poder. Por isso há um desgaste após a ejaculação, uma espécie de exaustão, quando o sêmen é liberado do organismo. Por isso os taoístas e os seguidores do tantra, procuram ter um orgasmo porém reter o sêmen, utilizando de sua essência divina para ampliar sua energia lhe propondo mais vigor e evitando a exaustão, que chamamos de "pequena morte".

De: Gawen Ausar (Natan Brith)


Fontes:

FRIEDMAN, David M. - Uma mente própria: A história cultural do pênis, Rio de Janeiro: Objetiva, 2002

CHIA, Mantak e ARAVA, Douglas Abrams - Orgasmo Múltiplo Masculino, Rio de Janeiro-RJ: Objetiva, 1999

LINS, Regina Navarro - A Cama na Varanda: arejando nossas idéias a respeito de amor e sexo: novas tendências, Rio de Janeiro-RJ: BestSeller, 2007

Website: http://es.wikipedia.org/wiki/Semen (acessado em: 24/03/2011)

Nenhum comentário:

Postar um comentário