sábado, 23 de abril de 2011

O Poder da Mãe sobre o Falo


Dentro de nosso coven fazemos um trabalho uma vez ao ano onde invertemos o conteúdo das reconsagrações. Ou seja, trabalhamos um conteúdo falando de Mistérios Masculinos voltado para as mulheres e um conteúdo falando de Mistérios Femininos voltado para os homens. E como essa data se aproxima tive a idéia de fazer um post a respeito de um dos assuntos tratados no ano passado quando fizemos esse cambio.
Falar sobre o Poder da Mãe, é algo muito importante, pois muitas vezes as mulheres não tem consciência do papel e do poder que tem na criação de um homem, de um macho sagrado. A figura primordial que temos e a primeira pessoa a termos contato até mesmo antes de nascer é a Mãe. É ela que nos recebe em seu últero onde somos formados e gerados, compartilham conosco sua energia seu alimento e até mesmo seus sentimentos. Por isso muitas mulheres tendem a ficar mais sensíveis quando estão grávidas. É por esse contato primal que temos com a figura feminina que a Deusa muitas vezes surge em nossa vida através de seu aspecto materno.
Quando já estamos fortes o suficiente, saímos de seu ventre e ao receber o sopro da vida e berrar por ter saído de um lugar tão quentinho e confortável, recebemos nosso primeiro alimento que é o leite materno, que é a única coisa capaz de nos sustentar nos primeiros meses de vida. Novamente a mãe compartilha com seu filho sua energia o alimentando com seu leite nutridor. Por isso em muitas culturas a vaca é um símbolo materno, pois seu leite nos nutre como primordialmente fomos nutridos pela mãe.
Sabe aquela velha história quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha? Então nesse ponto podiamos afirmar que foi a galinha, pois a mãe é o ser primordial. Segundo Eugene Monick a mãe existe antes do filho. O feminino tem prioridade (no sentido de ser primal), enquanto a criatividade do homem só aparece depois como fenômeno secundário.
Monick ainda afirma que a mulher é a primeira, o homem é apenas o que sai dela. O que se formos analisarmos o gênesis bíblico fica difícil imaginar Deus ter criado primeiro Adão e de uma costela dele ter feito Eva. Ele poderia ter simplificado muito mais as coisa feito Eva primeiro e ela gerado Adão. E não duvido que a história um dia foi contada dessa forma, porém com patriarcado o homem tirou a mulher de seu posto primordial, não dando a devida importância em seu papel de geradora de vida.
O que acontece é que o domínio materno primal, ocorreu em um período em que a consciência do ego não estava desenvolvida, o homem não tinha aprendido a dominar, não existia a guerra dos sexos e o homem continuava ligado a natureza, a Mãe, a Terra.
O papel de mãe é muito importante, e tem que receber seu devido valor, pois primeiro a mulher existe como mãe e o homem como filho. Primeiro a Deusa dá a luz ao Deus, que é sua criança, seu filho. A responsabilidade de ser mãe e poder que se tem sobre um filho é algo que muito tem se perdido em nossa sociedade. Esse sistema capitalista onde a mulher tem direito apenas de 6 meses de licença maternidade é falho, e não permite muitas vezes a mulher cumprir seu papel se preparando para ser mãe e se dedicando em seu papel maternal.
A mãe, diz Eugene Monick, é inquestionavelmente importante como fator maior no desenvolvimento da identidade masculina, talvez até mesmo o maior fator.
Pois é quando estamos nos desenvolvendo estamos recebendo dela os cuidados necessários para nossa evolução. Não que o homem não tenha um papel importante na formação de uma criança, pois a mãe não é identidade masculina, nem a única base original da existência.
Os povos antigos deixava a criança sob a guarda da mãe até uma certa idade, quando começasse a apresentar sinais de maturidade, como princípio de barba, a voz se tornando mais grave, e o nascimento de pêlos pubianos. Quando esses sinais surgiam a criança, que já era um jovem era tirado do meio materno para passar a ser treinado entre os homens para se tornar um caçador, um guerreiro e se iniciar nos mistérios masculinos, passando a ser visto por toda a sociedade como um homem e não mais uma criança.
Infelizmente as coisas não funcionam mais assim hoje em dia, e muitas vezes ou a criança acaba não tendo uma figura masculina forte em sua formação (que não precisa ser necesáriamente o pai), e acaba ficando dependente da mãe. A mãe que não se permite ver seu filho como homem o castra o privando de aprender a ser homem fazendo com que ele se torne totalmente dependende dela e não saiba como usar sua lança para a caça. Dessa forma depois da mãe vem a esposa que se torna um babá, e que tem que fazer tudo como a sogra fazia. Isso acaba gerando um desequilíbrio na formação da identidade masculina e o homem não aprende a ser independente e a cumprir seu verdadeiro papel.
A Mãe tem grande poder sobre seu filho, mesmo que ele não tenha crescido junto com o pai, cabe a mãe fazer com que ele comece a sair da barra da saia dela e passe a enfrentar os perigos da caça. Dessa forma estará criando um homem forte, independente que não tem medo de enfrentar as dificuldades. Se torna assim um guerreiro que protege não só a mãe mais todo o seu clã.

Natan Brith (Gawen Ausar)

Fontes: MONICK, Eugene - Falo a imagem do Sagrado Masculino, São Paulo: Edições Paulinas, 1993, - (Amor e psique)