quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O Tabu do Tamanho




Não é de hoje que rodinhas de adolescentes realizam disputa em vestiários de quem tem o maior da turma gerando piadinhas com aquele que possui o menor e louvor aquele que possui o maior. Muitos homens criam feridas por conta desse tipo de brincadeirinha infantil e muitas vezes sentem sua masculinidade “diminuída” por achar seu Falo inferior.


Cria-se uma espécie de medo em decepcionar na hora do sexo, por não se sentir confortável com o tamanho do próprio pênis. O que muitas vezes não possuí um fundamento biológico, pois um pênis considerado normal mede em média de 12,5 cm a 17,5 cm.


Atualmente a mídia super valoriza a imagem do Falo grande, no comercio pornográfico nos deparamos com diversos exageros. O que tem provocado cada dia mais a busca por cirurgias de aumento peniano.


Mas nem sempre foi assim, os gregos preferiam o pênis pequeno, como o de um adolescente em formação. Em suas esculturas e pinturas sempre usavam a representação do órgão em descanso e pequeno. Demonstravam desprezo ao retratar estrangeiros e escravos os representando em pinturas com falos grandes. Aristóteles até mesmo empregou a essa concepção estética uma base “científica” de que um Falo pequeno é melhor para concepção por achar que o sêmen esfria em um grande o tornando assim infértil.

Porém as hermaes eram construções fálicas com cabeça de Hermes que eram erigidas com falos grandes eretos no meio. Simbolizando muitas vezes conquistas militares e triunfo. O Falo era a figura de destaque na Grécia Antiga, pois simbolizava a ferramenta que transmitia ideais supremos e virilidade.


O que para os gregos era um sinal de bestialidade para os romanos o falo grande era um símbolo de força excepcional e até mesmo soldados eram promovidos pelo tamanho de seus Falos. Um falo grande para os romanos simbolizava poder, era respeitado, temido, e sempre cobiçado.

Com isso Príapo se tornou um dos ícones mais venerados, pois com seu Falo eternamente ereto e grandioso era o símbolo da masculinidade madura. Enquanto na Grécia era tido como um deus rural e com um culto considerado pequeno, em Roma era como um símbolo grandioso e com um forte culto.


Muito ouvimos falar da fama dos homens afro descendentes de possuírem falos maiores que os de etnia ariana. Porém essa fama já não foi nada boa, pois sofreram preconceito e eram tidos como incivilizados pelo tamanho de ser falo. Eram tidos como pervertidos e o contato de um falo negro com uma mulher branca era um dos maiores tabus durante muitas décadas nos EUA.


Venerado em algumas culturas, desprezado e perseguido em outras o falo e seu tamanho sempre foram temas polêmicos no decorrer de nossa história. Porém sempre pequeno ou grande seu valor não se encontra em seu tamanho. E sim em sua virilidade. Há homens que possuem falos grandes e sofrem sérios problemas de ereção, ou seja, possuir um falo grande nem sempre é sinal de virilidade. Até mesmo porque biologicamente não é necessário possuir um falo como o de Príapo para sentir e dar prazer em uma relação sexual.


O que ocorre de fato é que muitas vezes o homem não se senti seguro com sua própria masculinidade. Não se encarar como homem diante a sociedade por não se encaixar no estereótipo que a mesma impõe. Senti-se pequeno diante de um chefe ou um pai com um Falo- Ego enorme. Tendo a imagem de seu próprio falo, assim como de sua própria masculinidade, diminuída. Na maioria das vezes a questão é mais psicológica do que biológica de fato.


Quando o homem aprender a curar essas feridas e tiver consciência do sagrado que há dentro de si, fará as pazes com seu Falo, com seu próprio eu e será livre para amar verdadeiramente a si e aos outros sem utilizar como unidade de medida o tamanho de seu Falo.


De: Gawen Ausar (Natan Brith)


Fonte:

FRIEDMAN, David M. – Uma mente Própria: A história cultural do pênis. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002

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