sexta-feira, 6 de abril de 2012

Circuncisão



Circuncisão ou Postectomia nada mais é do que a remoção do prepúcio, película que protege a glande (cabeça) do pênis. Mas por que realizar a retirada do prepúcio? E quais as vantagens e as desvantagens de não possuir um prepúcio?
A razão para realizar essa cirurgia pode ser por questões de saúde, cultural ou até mesmo estética.
A circuncisão é realizada por diversos povos desde a antiguidade, é a operação mais antiga que se tem registro depois do corte do cordão umbilical, muitas vezes era realizada como um ato de conexão e aliança com Deus. O homem marcava o símbolo da sua masculinidade simbolizando sua conexão com o divino, com o Sagrado.
Para os egípcios os sacerdotes do templo se circuncidavam como sinal de afiliação a Rá, o Sol Criador, que circuncidou a si mesmo em um ato que é descrito no Livro dos Mortos. Há imagens egípcias de mais de 5000 anos onde está registrado o ato da circuncisão em jovens egípcios. Heródoto, o historiador grego acreditava que os próprios egípcios haviam inventado o rito.


Além de ser visto pelos egípcios como um ato sagrado era um ato de limpeza, pois o povo egípcio se preocupava com a livre circulação das secreções sem que se acumulassem resíduos. E não estavam errados, pois o prepúcio permite a acumulação de esmegma que é uma secreção natural de umidade e de óleos da pele interna do prepúcio. O esmegma é comum entre machos e fêmeas de diversas espécies e serve para lubrificar o prepúcio e preservar a glande. Porém o acúmulo de esmegma (palavra de origem grega que significa “sebo”) além de causar mau cheiro possibilita o desenvolvimento de bactérias causando irritações e até mesmo doenças.
Além do acúmulo de esmegma o prepúcio também permite o acúmulo de urina e sêmen, para evitar tais acúmulos o indicado é manter uma higienização adequada da glande e prepúcio utilizando de água morna e sabão. Porém vivendo em um clima quente e desértico, e a água sendo muitas vezes escassa, os egípcios adotaram a circuncisão como prática comum com a finalidade de evitar acúmulo de resíduos e facilitar a higienização do falo.
Os hebreus podem ter aprendido a prática da circuncisão com os egípcios, e utilizavam esse ato como uma relação entre o homem, seu falo e Deus. Todo homem em seu oitavo dia de vida devia ser circuncidado, pois segundo a mitologia hebraica Abraão realizou um pacto com Deus e o símbolo desse pacto era a circuncisão de seu falo e de todos os seus filhos o que resultou no ritual judaico Brit Milah.
Com a circuncisão a glande fica exposta da mesma maneira quando o falo está ereto, simbolizando que esses povos cultuavam o falo, o marcando de tal forma que aparenta uma ereção permanente mesmo quando está em descanso. Segundo David M. Friedman, “(...) poucos rituais se comparam a esse em complexidades psicológicas contraditórias – algo físico, ainda que não fisiológico; sexual sem ser erótico; não-genético, mas genealógico; uma marca; mas não marca de nascimento, realizada no lugar exato que distingue o homem da mulher.”
Muitos povos utilizavam a circuncisão como um rito de transição de menino para homem. Porém nem todos os povos eram adeptos e viam a circuncisão com bons olhos. Os gregos que eram um povo que supervalorizavam a imagem do falo, viam a imagem da glande exposta como indecorosa e abominavam tanto a circuncisão judaica como a egípcia.
Quando Alexandria passou a ser um centro cultural helenizado, muitos judeus e egípcios sofriam certo preconceito e não eram bem aceitos nos ginásios gregos. Muito judeus para serem “aceitos” entre os gregos adotaram o Pondus Judaeus, um peso de bronze ou cobre, na forma de um funil, que era preso ao falo acima da glande. O metal pesado puxava e distendia a pele até cobrir a glande. Ou até mesmo tomavam medidas cirúrgicas chamada de epipasmos (“pôr sobre” em grego).
Mesmo no mundo atual a circuncisão é vista como um assunto polêmico. Pois ao realizar a cirurgia alguns nervos são rompidos o que retira parte da sensibilidade do falo, além do prepúcio ser um ponto erógeno para o homem. Com a exposição da glande ela se torna mais fosca, áspera e menos sensível, pois sofre um processo de queratinização, por ficar exposta ao calor.
A circuncisão pode ser vista sim como uma ligação divina entre o homem e seu Deus Interior, ou simplesmente uma marca cultural em honra a ancestralidade de seu povo. E deve ser adotada com consciência do seu ato e das consequências que ela provocará.
Estudos atuais constam que falos circuncidados evitam a contaminação e a transmissão do vírus HIV, porém não é totalmente seguro, o mais indicado pelo Ministério da Saúde é o uso de preservativos mesmo os homens circuncidados. Com isso a circuncisão foi adotada como medida para diminuir a epidemia de HIV na África Subsaariana.
Circuncidado ou não circuncidado, não importa, o que importa é a conexão do homem com seu falo, com seu Deus Interior. E claro a boa saúde e o bom funcionamento de seu órgão definidor. Conselho a quem deseja realizar a cirurgia procurar um urologista e conversar sobre o assunto e tirar todas as dúvidas a respeito. Porém a circuncisão não nos torna mais ou menos homens, mais ou menos sagrados. O que verdadeiramente importa é sua relação com seu Deus Interior.

Por: Gawen Ausar (Natan Brith)

Fontes:
FRIEDMAN, David M. – Uma Mente Própria- A História Cultural do Pênis, Rio de Janeiro: Objetiva, 2002

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