quarta-feira, 30 de maio de 2012

Hieros Gamos – A União do Sagrado Masculino e Feminino



Em diversos mitos vemos casais sagrados, de cuja união geram vida, fertilidade e amor. Ísis e Osíris, Hera e Zeus, Inana e Dumuzi, Eros e Psiquê, Ishtar e Tammuz entre outros. Esses casais representam nada mais do que a plenitude masculina em união com a plenitude feminina.

Quando um homem conhece seu corpo, honra seu Deus Interior e reconhece e honra o sagrado que há na mulher e há uma reciprocidade entre ambos a união das contrapartes gera uma energia que não só os envolve como um casal, mas sim a todos que estão ao seu redor, a sua comunidade e a Terra.

A sinergia gerada por essa união não se manifesta apenas no âmbito sexual, pois os envolve de forma mais profunda gerando um elo de forma que mesmo separados continuam ligados energeticamente. Um Homem Sagrado sabe honrar e respeitar os ciclos da mulher e não há o desejo de posse, pois a Mulher Sagrada pertence a si mesma. Não há o sentimento de culpa, pois ambos conhecem o poder que fluí deles. Não há dominação, pois não são opostos, mas sim complementos. As barreiras de tempo e espaço deixam de existir, pois se tornam apenas o Uno e o Atemporal. Ambos experimentam o ápice do poder de seu gênero de forma pura e transcendente, pois seus corpos se tornam canais que os ligam a energia cósmica da natureza. Há o sentimento de afeto, proteção, amizade, companheirismo e o amor incondicional.

Se todos os homens aprendessem a se conectar com o seu Eu Sagrado, honrando seus ciclos junto à natureza e da mesma forma as mulheres e enxergando um no outro a centelha divina, não haveria tantos problemas de relacionamento e a Guerra dos Sexos acabaria sem perdedores.
O mal de nossa sociedade atual é que os sexos se opõem ao invés de se unirem e buscarem um crescimento e evolução juntos de forma que toda a Terra se beneficiaria dessa união. Não existiriam estupros, violência e crimes de ódio. O machismo e o feminismo enquanto forem vistos por uma visão distorcida um do outro onde os machistas buscam dominar o sexo feminino e as feministas dominarem o poder que tanto tempo ficou na mão dos homens e dominá-los de forma que os inferiorizem não haverá o verdadeiro equilíbrio.

O homem se inflou de tal forma que a energia masculina se desequilibrou e com o passar dos anos isso só tem piorado. Porém não há culpados. Não podemos culpar apenas os homens pelo desastre que nossa sociedade atual causou não só as mulheres, mas aos próprios homens e a Terra.

No livro Rei Guerreiro Mago Amante os autores afirmar que é evidente que o mundo está superpovoado não só de homens imaturos mas também de menininhas tirânicas e prepotentes fingindo que são mulheres. Ainda alegam que tem havido uma verdadeira guerra contra o sexo masculino, que chega ao ponto de uma total demonização dos homens e difamação da masculinidade e que as mulheres não são mais inerentemente responsáveis nem maduras do que os homens. E concluem dizendo que: “Os homens não devem ficar se desculpando pelo seu sexo, como sexo. Devem preocupar-se com o amadurecimento e a administração desse sexo e do mundo mais amplo. O inimigo de ambos os sexos não é o sexo oposto, mas sim a grandiosidade infantil e a divisão do Si-mesmo dela resultante.”

Se ambos os sexos reconhecerem que são vítimas na Guerra dos Sexos e que ao invés de se oporem buscarem o amadurecimento de forma que se conectem com seu Eu Sagrado, iriam se unir de forma que essa união resultasse como a união dos Deuses em vida, cura, fertilidade e amor não apenas para o homem e a mulher mas para toda Terra.

E os homossexuais onde ficam nessa história?

Quando falo de homem e mulher estou falando de gênero e isso não tem relação com sexualidade. Há muitos gays que desprezam o sexo feminino, assim como algumas lésbicas repudiam o sexo masculino. Se ambos se conectarem com a verdadeira essência de seu gênero acessando o sagrado que há dentro de si enxergaria e honraria o sagrado que há dentro de cada um, não importando seu sexo, sua etnia, e muito menos sua sexualidade.

O Hieros Gamos que nas sociedades antigas ocorriam entre o Rei e a Rainha ou entre os altos sacerdotes para fertilizar a Terra e trazer colheitas prósperas deve ocorrer em nossa sociedade atual com a união entre os Homens e as Mulheres, ambos se conectando com suas divindades interiores de forma que a Terra se cure e que as gerações futuras colham paz, equilíbrio, união e amor.

Por: Gawen Ausar  (Natan Brith)

Bibliografia: MOORE, Robert e GILLETTE, Douglas – Rei Guerreiro Mago Amante – A Redescoberta dos Arquétipos Masculinos. Rio de Janeiro – Editora Campus, 1993

domingo, 6 de maio de 2012

A Sombra





A sombra masculina mostra tudo o que vemos hoje na sociedade patriarcal. Pois com a perda da conexão do homem com seu Deus Interior e a ausência dos ritos de passagem que quase não existem. Vivemos em uma era de Homens-Meninos.
Quando o homem não realiza sua transição para a Masculinidade Sagrada se torna uma criança inflada, vivendo sob a influência de sua sombra. No livro Rei Guerreiro Mago Amante, os autores Robert Moore e Douglas Gillette afirmam:
“O traficante de drogas, o líder político indeciso, o marido que bate na mulher (fisicamente e verbalmente*), o chefe eternamente ranzinza, o jovem executivo metido a importante, o marido infiel, o funcionário ‘capacho’, o membro da gangue, o pai que nunca encontra tempo para participar das programações na escola da filha, o treinador que ridiculariza seus atletas talentosos, o terapeuta que inconscientemente agride o ‘brilho’ de seus clientes e busca para eles uma espécie opaca, o yuppie – todos esses homens têm alguma coisa em comum. São todos meninos que fingem ser homens. Ficaram assim honestamente, porque ninguém lhes mostrou o que é ser um homem amadurecido.”
*grifo meu
Esses arquétipos tão vistos hoje em dia são resultado de uma era de imposição patriarcal, onde o homem se desconectou com seu Deus Interior.
Para detalhar como funciona a estrutura dos arquétipos masculinos, basta visualizar uma pirâmide. No ápice da pirâmide fica o arquétipo em plenitude e em sua base a sombra. Tanto os arquétipos do menino como os arquétipos do homem possuem quatro facetas e cada faceta possui uma sombra bipolar conforme a manifestação arquetípica – falta de conexão com o arquétipo (negativo) e excesso de conexão com o arquétipo (positivo).

                                                                                  
O menino que vive um arquétipo sombra será o correspondente do arquétipo sombra quando homem, pois, não realizou uma transição para o amadurecimento.
Os homens por não conseguirem se conectar com o seu Eu Sagrado e com o Deus, que há dentro de cada homem, não alcançaram a plenitude de seu arquétipo manifestando apenas sua sombra.
Assim como Rá que passa sua Barca dos Milhões de Anos após o pôr do Sol pelo Submundo, enfrentando diariamente a serpente Apep (Apófis), símbolo da destruição e do caos. Somente destruindo o monstro ele poderia renascer regenerado para iluminar um novo dia, ou seja, quando enfrentamos nossas sombras e a equilibramos nos conectamos com o ápice de nosso arquétipo, nos conectamos com o Falo.

Por: Gawe Ausar (Natan Brith)
Fonte:
MOORE, Robert e GILLETTE, Douglas – Rei Guerreiro Mago Amante- A Redescoberta dos Arquétipos Masculinos. Rio de Janeiro – Editora Campus, 1993.